performer

 

12/05/2014 às 11:43 am – por

publicado em NOO MAGAZINE

 

“Há muitas coisas para se fazer na capital alemã, principalmente para quem vive de arte. Andrea Boller, artista de São Paulo, sabe disso melhor do que ninguém. Arquiteta formada pela USP, Andrea vive desde 2010 na Alemanha, onde estudou Artes Plásticas na Universidade de Artes de Berlim.

A moradora de Kreuzberg, centro da cultura alternativa em Berlim, sempre quis morar na cidade: “Queria vir para Berlim especificamente. Tinha vontade de morar um tempo fora e já falava alemão. Então descobri uma bolsa que me permitiria estudar por um ou dois anos em uma faculdade alemã de artes. Eu teria um ateliê na faculdade, onde poderia trabalhar a qualquer dia e horário, com possibilidade de utilizar todas as oficinas”, conta ela.

O esforço parece ter valido a pena: dois anos depois, ela foi agraciada com um importante prêmio oferecido por uma instituição cultural alemã, a Fundação Jacqueline Driffing, o Prêmio Driffing de Escultura, como única artista do Brasil: “Com o dinheiro que ganhei, paguei os custos do meu ateliê, além de comprar materiais e algumas ferramentas. Mas principalmente pude trabalhar só no ateliê, sem outras ocupações para ganhar dinheiro, por um certo tempo”.

Andrea aproveita ao máximo as opções culturais da cidade, também como fonte de inspiração: “Berlim tem uma quantidade enorme de artistas. Uma das coisas que eu mais gosto é acompanhar as exposições nas galerias, museus e espaços independentes. Também gosto muito de assistir a performances, teatro e dança”. E aproveita para dar algumas dicas: “Entre as galerias grandes, gosto muito da Neu e da Johann König. Mas existem várias galerias menores com exposições muito interessantes, como Schwarz Contemporary e Kwadrat”.

Quando não está trabalhando em suas esculturas ou curtindo Berlim, Andrea faz performances. Em 2012, no mesmo ano em que foi agraciada com o Prêmio Driffing de Escultura, a paulistana foi selecionada, juntamente com outros artistas, para fazer uma performance do trabalho “Imponderabilia”, da Marina Abramovic, a renomada artista, que esteve no Brasil recentemente para organizar a retrospectiva que apresentará em terras brazucas em 2015. A performance foi parte da Art Basel, uma das feiras mais importantes de arte contemporânea do mundo.

Andrea tem um certo elo com o trabalho da artista sérvia: “Ela foi professora do meu orientador na faculdade, então já tinha ouvido falar do workshop que ela fazia com os alunos dela quando foi professora na UdK em Berlim, e em Braunschweig, na Alemanha na década de 90”, sublinha Andrea. Foi também por causa de Marina Abravomic que Andrea começou a se interessar por performance: “Durante a Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim, assisti ao filme “The Artist is Present” e fiquei fascinada pelo workshop que é mostrado, pela experiência de fazer a performance, queria experimentar também. Por acaso, um tempo depois, vi um anúncio de procura de performers para a reperformance em Basel, escrevi para eles e fui chamada”. O interesse pela obra de Marina não pararia por aí: também em 2012, ela “reperformou” a performance “Luminosity”, durante a Ruhrtriennale, Festival Internacional de Artes que acontece de três em três anos.

Entre uma performance e uma premiação, Andrea ainda acha tempo para escutar muita música (ela é fã do cantor e guitarrista malinês Ali Farka Touré) e para ler: “No momento tenho lido peças de teatro e acabei de descobrir Samuel Beckett. Li “Esperando Godot” e fiquei fascinada”.

Voltar a trabalhar no Brasil faz parte de seus planos. Em 2007, muito antes de vir para a Europa, ela começou a desenvolver um projeto, que intitulou de “In Visível”: esse projeto começou com uma ideia de uma linha desenhada na cidade. Uma “linha­escultura” feita de pó de mármore preto, que eu iria deixando ao longo de uma caminhada do centro até um ponto no limite da cidade, mais ou menos 16 quilômetros, por meio de um carrinho carregado com o pó, que eu iria puxando. Uma linha que depois se desfaz. É também uma performance. “Andrea nunca chegou a realizar a performance, por “problemas técnicos”, como ela diz. Mas a ideia ainda não foi abandonada: “Tenho planos de fazer o trabalho com a ajuda de alguns amigos artistas e produtores no Brasil. Ainda precisamos de financiamento para a produção”. Estamos cruzando os dedos, Andrea!”

 

foto 1 _ andrea boller__montagem do trabalho b-ton

Durante a montagem do trabalho B-­Ton, 2012. Foto: Daniel Pacheco
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